CAPÍTULO SETE
Bethany limpou lágrimas de raiva, recusando-se a
deixar que a dor que queimava em seu interior
fosse mais forte do que ela. Ela deveria ter aprendido com seu
primeiro casamento que playboys maravilhosos não
eram confiáveis. Dizia a si mesma que estava
melhor sem ele e queira muito
acreditar nisso quando a recepcionista ligou para dizer
que o próximo cliente de Bethany chegara.
Ela inspirou profundamente e se preparou para se
encontrar com o jovem casal comprando sua primeira
casa. Ela tivera ganhos maiores do que somente dor em seu relacionamento
com André, lembrou a si mesma. Aprendera
que era capaz de viver uma paixão incrível. Assim,
conseguira o que pretendia fazer em sua viagem à
Itália. Se isso viera por um preço que não estava
preparada para pagar, não tinha escolha, a não ser se
resignar e aceitar a parte ruim junto com a boa.
Era tarde da noite quando o telefone em sua mesa
tocou. Ela atendeu.
– Bethany Hayden falando.
– Bethany.
Não. Era impossível. Não após uma semana de
completo silêncio.
– André?
– Sì. Bethany, como é bom ouvir sua voz.
Ela não cairia em nenhum dos seus
truques estudados dessa vez.
– Você ainda está em Nova York?
– Você sabe sobre minha viagem?
– A recepcionista do seu banco me disse quando
eu liguei para falar com você.
– Que bom. Eu estou surpreso. Nossa política de
confidencialidade é rígida, mas eu estou muito feliz
que ela a tenha ignorado nesse caso. Quando soube que meu
assistente pegou minhas coisas sem deixar um recado, eu pensei que você ficaria magoada.
Como você poderia pensar em algo que não fosse o
pior?
– Você tem razão. Como eu poderia?
– Mas agora você compreende.
Aparentemente ele ainda não entendera que compreender
e aceitar não eram a mesma coisa. Ela
compreendia a infidelidade constante de seu marido.
Kurt era um homem incapaz de fidelidade, porém
não a aceitava.
– Com certeza você sabe. Eu quero que você venha
se encontrar comigo em Nova York.
– Eu acho que não vai dar.
– Vou enviar o meu jato para buscá-la. Você não
precisa se preocupar em comprar uma passagem de
avião.
– Eu não vou para Nova York, nem em seu avião
nem no de ninguém.
– Você está se recusando a vir? Totalmente? – Ele
parecia chocado com sua recusa, até mesmo perdido.
Que estivesse. Aparentemente, ele pensou que ela
era uma verdadeira idiota. Bem, ela até que fora, mas tinha dado um basta em sua estupidez
e passara a última semana se recuperando da decepção.
Mesmo assim, ouvir a voz de André não era nada bom
para o seu processo de reabilitação, e ela precisava desligar o telefone o quanto antes.
Ou faria algo imperdoavelmente
idiota, como concordar em ser sua amante
de conveniência e aceitar ir para Nova
York de jatinho.
– Veja, André, foi bom enquanto durou, mas acabou
agora. Não estou interessada em reviver os bons momentos em
Roma.
– Você não quer continuar o relacionamento?
Ela não chamaria isso de relacionamento, não com
ele querendo nada além de sexo sem compromisso
e fugindo no momento em que desejasse.
– Não, não quero.
– Bethany, eu não tive escolha. A minha presença era necessária aqui.
– Tenho certeza que sim. – Ele era um homem
importante, mas ela não suportaria estar com ele, a
não ser que ela fosse tão essencial para ele quanto ele o
era para ela.
– Eu pensei que você compreenderia. – Sua voz
tornou-se rouca e cansada, como se a conversa lhe
tivesse tirado o último resquício de energia.
Ela afastou o pensamento, pois estava beirando a
preocupação e disse:
– Você estava errado.
– Estou vendo.
– Algo mais?
– Não, mais nada.
Ouviu o telefone sendo desligado abruptamente
e sentiu um rastro de lágrimas quentes deslizando por suas faces.
***
Assim que André desligou o telefone, foi tomado por uma forte sensação
de tristeza que destruiu a a alegria que sentira ao encontrar uma
agência internacional de detetives, extremamente cara,
que contratara para encontrar Bethany. Até mesmo seu
alívio quando Rico despertara do coma foi nublado
por seu desespero ao saber que estivera errado em
relação a Bethany, e que a perdera. Ela lhe dissera que
estava procurando afirmar seu poder feminino. Ele a ajudara nessa busca
e agora ela não queria mais nada com ele.
Como pudera estar tão errado sobre uma mulher?
Será que ela era tão sem compaixão?
Após dias sem dormir direito, ele não tinha energias
para lidar com o problema.
Estava esgotado emocionalmente, e não podia se deixar dominar por questões sentimentais.
Rico acordara paralisado da cintura para baixo. Os médicos
tinham esperança de que ele voltasse a andar, Gianna
estava certa disso, mas o otimismo de André se mesclava à preocupação com seu irmão, a qual
ele preferia esconder.
Ele não podia se permitir sofrer a perda de Bethany, ou
ela o aleijaria, deixando-o inútil, um trapo humano incapaz de lidar com
problemas profissionais e de família.
***
Bethany pegou a revista no consultório médico
enquanto esperava ser chamada para receber o
resultado de seu teste. Já estava certa de qual seria o diagnóstico.
Os sintomas eram inconfundíveis e
os testes de gravidez domésticos possuíam 98% de
acerto. Estava grávida de André.
Ele usara uma camisinha cada vez que haviam
feito amor, mas ainda assim conseguira plantar seu
filho dentro dela. Todo método anticoncepcional
possui um fator de risco, mas ela pensava que uma
camisinha precisava se rasgar para não funcionar.
Lembrando-se de algumas das maneiras pelas quais
ele lhe dera prazer, pensava que talvez pudesse
compreender como isso acontecera, mas como
André reagiria ao saber que seria pai? Pois ela
precisava dizer isso a ele, e uma pequena parte
sua se alegrava por ter uma desculpa para vê-lo
novamente.
Ela virava as páginas da revista seu ver nada, os sentimentos
A deixavam cada vez mais confusa. Passara cinco semanas
Questionando se fora mais tola por confiar
em André à primeira vista ou em se recusar a
encontrá-lo novamente e ouvir a razão por
que a deixara sem uma palavra. Quanto mais pensava,
mais se convencia de que a última
opção era a correta.
Ela desistira com muita facilidade do relacionamento,
e levara vários dias para encarar o fato de que sentira mais medo do que necessidade.
Temera os sentimentos avassaladores por André. Kurt a
ferira muito, mas ela não sentira por ele um décimo
do vínculo emocional que tinha com André após sua
primeira noite juntos.
Ela suspirou e ia fechar a revista quando um rosto
na página lhe chamou a atenção. Parecia André, mas
não era ele. Será que era? Magnata
Rico di Rinaldo choca a comunidade financeira
ao ficar paralítico em acidente. O artigo dizia que
ele fora atropelado tentando evitar um assalto e passara
cinco dias em coma. A data de seu acidente fora a
mesma em que André a deixara.
A náusea fez contraiu seu estômago,
enquanto ela lia sobre a luta do homem pela vida, sua
paralisia e a necessidade de seu irmão mais novo assumir
responsabilidades adicionais na gestão do banco
enquanto Rico fazia fisioterapia. André precisara
dela e ela se recusara a ir ao seu encontro. Ela se
levantou de um salto e correu para o banheiro,
chegando exatamente a tempo de vomitar na pia. |