CAPÍTULO CINCO
André não conseguia acreditar que Bethany havia
concordado com o beijo mesmo após ele ter afirmado
claramente que aquilo poderia acarretar consequências.
– Deixe-me levá-la de volta ao seu hotel.
– Está bem.
– Você sabe o que estou propondo?
Será que ele sabia? Ele nunca fazia loucuras como
essa, mas soube que ela falava a verdade. Sobre tudo.
Ela só estivera com um homem, seu ex-marido – o
bastardo que fora suficientemente estúpido para traí-la
e depois deixá-la ir embora. O único risco que correriam
ao fazer amor seria uma gravidez, e ele pretendia
usar preservativos.
– Eu sei – ela sussurrou.
– Então vamos.
* * *
O quarto de hotel de Bethany não era tão luxuoso
quanto os que ele estava acostumado, ela tinha certeza,
mas ele não disse nada . A intensidade
do desejo a envolvia. A cama de casal
dominava o cômodo bastante pequeno, ou talvez só
parecesse assim, pois o que ela pensava fazer ali
consumia seus pensamentos.
Ela largou a bolsa na penteadeira e voltou-se
para ele, um desejo que era mais que simplesmente
físico, sentindo o coração bater forte em seu peito.
– Você quer alguma coisa?
Ele a segurou pela cintura e a puxou para si, incapaz de resistir.
– Somente você, carina.
Depois ele abaixou a cabeça até que suas bocas se
encontrassem. Fogos de artifício estouraram ao
primeiro toque de seus lábios nos dela. Ela pressionou
as mãos contra a parede rochosa de seu peito, embriagada
pelo calor que emanava através da camisa dele
e que a atraía fortemente. Seu
cheiro, seu gosto, sua própria essência cativavam seus
sentidos, e ela intuía que ele sempre lhe pertencera, muito antes
de o conhecê-lo.
Não havia por que hesitar. Seu corpo estava
pronto para explodir de desejo. Sua única preocupação
era abrir os botões da camisa dele. Tudo nele era perfeito para ela.
Tudo nela era perfeito para ele. Como
ela sabia disso, não podia entender, mas o sabia. Não
era um romance de uma só noite, nem o começo de um
curto caso que terminaria com sua volta para os Estados
Unidos. Era muito mais.
A língua dele pressionou os lábios de Bethany e ela
os abriu sem hesitar. Ele possuía sua boca com uma
sensualidade que a deixou tonta e trêmula quando se
encostou nele, incapaz de ficar de pé sozinha.
Perfeito. Ela nunca vivenciara nada tão perfeito.
Suas mãos se moveram da cintura dela para suas
nádegas e ele a tocou, apertando-a, acariciando-a,
fazendo-a enlouquecer de desejo antes de se mover
mais para baixo. Pôs as mãos debaixo de sua blusa e acariciou sua pele sensível,
descendo para as coxas e as nádegas.
Era bom, era incrível.
Ela gemeu, finalmente conseguindo colocar as
próprias mãos dentro da blusa dele. O pêlo que cobria
seu peito era algo desconhecido para ela. Kurt o
depilava, mas ela amava as texturas ricas da pele e
dos pêlos de André, sua masculinidade ao toque dela.
Bethany poderia tocá-lo assim para sempre.
Como se fosse possível, ele aprofundou seu beijo,
enquanto pressionava as nádegas dela
contra seu calor, tornando-a supremamente consciente
de sua excitação. O modo como ele movia o corpo
contra o dela, os gemidos másculos que vinham do
fundo de seu peito, a força de seus dedos contra a carne de Bethany –
tudo falava de um tênue controle que ela queria fazê-lo perder.
A consciência de que podia excitá-lo assim a
estimulou como nada mais o poderia ter feito. Ela
não se comportava como uma puritana fria com ele.
Ele a ergueu um pouco mais para cima
e ela naturalmente abriu-se para
envolvê-lo pela cintura. Ele
aprovou seu movimento remexendo o quadril e
gemendo de prazer. Parou de beijá-la para dizer várias palavras em italiano, a
maioria ela não entendeu, mas compreendeu que ele dissera linda
e perfeito.
– Eu quero você, André.
– Si. Você me terá.
Livraram-se das roupas com movimentos frenéticos enquanto diziam
apaixonadas. Quando caíram juntos
e nus na cama, ela estava a ponto de se derreter por
causa do desejo quase doloroso que dominava seu
corpo.
Ela arqueou os quadris.
– Eu quero você agora, André. Agora.
Ele se atrapalhou com a camisinha e logo estava
fazendo o que ela pedira, preenchendo seu corpo com
um movimento ágil e poderoso. Ela suportou seu tamanho, ele
um amante como nenhum outro. Seus músculos se
enrijeceram com a tensão do esforço.
– Você pode me receber, mi amorino. Nós fomos
feitos um para o outro.
– Sim – ela sibilou enquanto sua carne feminina
relaxava e contraía em torno dele, puxando-o mais
para dentro, até atingir seu ventre.
Fizeram amor, rápida e furiosamente, gozando juntos
com tanta intensidade que ela perdeu o contato com
a realidade por vários segundos. Quando se tornou
mais senhora de si, ele a estava beijando por todo o
rosto, sussurrando palavras de aprovação e admiração
contra sua pele.
Ela se apoderou de seus lábios e começaram tudo
de novo, o toque e o prazer, mas desta vez ele manteve
o ritmo lento, levando-a mais uma vez ao clímax antes
de partir junto com ela em uma viagem às
estrelas.
Dormiram muito pouco naquela noite, e
passaram o dia seguinte juntos, dentro e fora da cama.
Dois dias gloriosos se passaram, durante os quais
André e Bethany eram inseparáveis. Ele trouxera suas coisas
para o quarto de hotel de Bethany e depois
continuou a lhe mostrar Roma, exatamente como
ela apenas sonhara vê-la. No terceiro dia, ele tinha
uma reunião no banco, e logo em seguida um coquetel seguido de
um jantar.
– Eu não posso estar ausente, carina, mas enviarei
um carro para buscá-la. Quero que você me acompanhe.
Após dois dias fazendo amor com ele, que lhe dizia
constantemente que era a mulher mais bonita do
mundo, havia pouco espaço para ansiedade em relação
a se encontrar com seus associados.
– Estarei pronta.
– Vá com o vestido cor de rosa. Fica perfeito em
você.
Ele a levara para fazer compras na véspera e
insistira em comprar-lhe tudo o que lhe atraía a
atenção. Ela hesitara no começo, mas ele fizera questão,
afirmando que lhe dava muito prazer.
* * *
– Eu sinto muito, Signor di Rinaldi, mas há uma
chamada urgente para o senhor. É de Nova York.
Assunto de família…
André olhou para o jovem cuja voz apressada
interrompera a conversa em torno da mesa de
reunião. O único membro da família em Nova
York agora era seu irmão mais velho. Seus pais
estavam em um longo cruzeiro para celebrar o
aniversário de casamento.
– Eu atenderei no escritório do gerente.
Dez minutos mais tarde ele pousou o fone, a
descrença lutando contra o medo frio dentro dele.
Rico estava em coma no hospital de Nova York.
André deu algumas instruções rápidas a seu assistente.
Ele precisaria de uma autorização de
decolagem do aeroporto, seu jato já estava abastecido e tinha
algumas roupas do quarto de Bethany. Ele
tentou ligar para ela, mas ela ainda estava fazendo
turismo.
Ele bateu o telefone antes de se conscientizar de
que deveria ter deixado uma mensagem. Poderia ser
sua última chance de falar com ela por muitas horas.
Queria muito levá-la consigo, mas ela não estava com
um celular e ele não poderia esperar que voltasse ao
hotel. Cada hora era importante para rever seu irmão
ainda em vida. |