CAPÍTULO QUATRO
– Isso não é algo que você deva temer, carina,
pois sou vítima disso.
– Disso o quê?
– Desse desejo tão forte que afasta toda lógica
e razão. Você acha que tenho o hábito de seduzir
mulheres desconhecidas e passar o dia com elas?
– Eu não sei. Como você disse, não nos conhecemos.
– Eu lhe asseguro, eu não faço isso. Assim como
você não teria jantado com um homem que nunca
tivesse encontrado antes.
– Como você sabe?
Ele a fitou, os olhos castanhos vendo além das aparências.
– Eu sei.
A mente dela deu voltas ao pensar que um homem
tão incrível quanto ele pudesse estar tão atraído por ela como
dizia, mas seu coração se acelerava com a necessidade
dessas palavras serem verdadeiras.
– Impossível. Eu não acredito
em amor à primeira vista. – Especialmente após seu
casamento desastroso, que fora o resultado de um
namoro ultrarrápido.
– O amor profundo e duradouro entre duas pessoas
deve crescer. – As palavras soavam bem para ela,
mas o tom e a expressão dele eram questionáveis.
– Sim – ela enfatizou –, como uma planta. É preciso
muita água, sol e solo saudável para que um botão floresça.
O amor verdadeiro não pode acontecer de um instante para outro.
– Mas há plantas que crescem em um dia. São
únicas, extremamente raras, porém não menos reais que
suas semelhantes mais convencionais.
– O que você está dizendo?
– Eu não sei, mas não podemos deixar
de lado o que está acontecendo entre nós.
– Não, não podemos – a voz dela estava
rouca por causa das emoções que a deixavam tensa e dificultavam a respiração.
Ele se inclinou para frente de novo, segurando-a pelos punhos e puxando-a com força.
– Não se esconda de mim.
Ela resistiu, a razão em duelo com suas emoções e seu
o corpo, até ver em seu rosto a expressão do desejo e
de sentimentos em conflito. Ela o deixou puxá-la para si
por cima da pequena mesa.
Seus dedos acariciavam o interior de seus pulsos
enquanto os olhos permaneciam fixos nela.
– É físico, Bethany, mas não é só isso.
E ela acreditou nele porque também se sentia assim.
– Eu sei.
Eles dançaram após o jantar, o corpo dela colado
ao de André. Ela podia sentir o efeito de sua proximidade
nele, mas ele não fez nada para levá-la a algum
lugar mais privado.
Eles conversavam sussurrando baixinho. Ela lhe
disse por que viera à Itália, falou-lhe sobre seu curto,
mas terrível casamento e seu divórcio subsequente.
Ele lhe contou sobre seu irmão mais velho e uma
mulher que o amava. Falou-lhe com tanto entusiasmo
sobre essa Gianna que Bethany começou a ficar rígida
em seus braços.
Ele passou a mão por suas costas de maneira
relaxante, enquanto a segurava com bastante força
contra si.
– Eu não desejo Gianna. Ela é como uma irmã para
mim, eu penso que para Rico também, mas ela se
sente de maneira diferente.
– Você queria que ele também pensasse assim?
– Ele está noivo de uma mercenária e toda a família espera que ele tenha o
bom senso de não se casar. Gianna seria uma grande
melhoria.
– Mercenária?
– Ela só está interessada no dinheiro e no status dele. Ela não
tem amor no coração.
– Seu irmão deve estar bem de vida.
– Meu pai entrou em uma semi-aposentadoria. Rico
é o presidente do Banco Rinaldi.
Havia bancos Rinaldi em toda a Itália.
– Você quer dizer que ele é o gerente de uma das
filiais?
– A minha família é dona dos bancos.
Dessa vez ela deu um jeito de sair de seus braços.
– Você é dono de um banco?
– Eu tenho ações do banco, assim como meu pai e
meu irmão e vários de meus primos. – Ele a segurou
e a puxou de volta para seus braços. – Relaxe,
Bethany. Não é nada demais.
– Você não dirige o banco?
– Não.
Ela suspirou aliviada e relaxou, encostando-se nele.
– Eu sou membro da diretoria. Meu irmão e eu
dirigimos o banco juntos.
Antes que ela pudesse ficar tensa novamente, os
lábios dele pousaram na base de seu pescoço, deixando-a sem equilíbrio.
– O que eu sou não importa muito, não é?
– Seu estilo de vida deve ser muito diferente do
meu, nós devemos até mesmo viver em planetas
diferentes. Eu aposto que você sempre frequenta restaurantes luxuosos. Eu não. Na verdade, nunca fiz um pedido de um cardápio sem ver os preços antes. Eu
dirijo um Ford Escort e vou para uma lanchonete
quando quero festejar. Você provavelmente mantém
uma garrafa gelada de champanhe caro em seu
escritório para esse tipo de coisa.
Ele parou de tentar dançar e olhou pra ela, com a
expressão tão séria que ela não conseguiu desviar o olhar.
– Sim, eu cresci na abundância e vi o que isso faz
com as pessoas. A noiva de meu irmão é típica em
nosso meio, e esse não é o tipo de mulher com o qual
eu quero passar a minha vida.
– Há mulheres ricas e boas.
– Sim, minha mãe é uma delas, mas eu nunca
encontrei uma mulher como você, Bethany, e não me
importo se você dança de topless para ganhar
a vida. Eu quero estar com você.
– Eu trabalho em uma companhia de seguros.
– Bom. Minha mãe poderia ter alguns problemas
com a parte de dançar de topless.
Ele lhe contou muitas coisas sobre seus pais e ela
se conscientizou de que não eram tão diferentes dos
dela. Preocupavam-se com seus filhos e, pelo que
ele lhe dissera, ela podia ver a mãe dele fazendo o
mesmo tipo de coisas loucas que a sua própria mãe
para tornar seus filhos felizes.
– Sua família me parece maravilhosa.
– É sim. – O amor que ele sentia pela família enriqueceu
sua voz com sentimento, e outro grande
pedaço caiu do muro defensivo que ela construíra à
volta de seu coração.
Eles dançaram até a música mudar para algo com
um ritmo mais rápido e depois André pagou o jantar e
a levou para caminhar um pouco. Não se podiam ver
muitas estrelas no céu da noite. As luzes fortes de
Roma ofuscavam seu brilho, mas era incrivelmente
romântico assim mesmo, ou talvez fosse seu
companheiro que era tão romântico.
– Então, você veio para Roma com a intenção de
ter um caso tórrido?
Ele sentiu a mão dela se agitar.
– Parece terrível quando você diz isso em voz alta.
– Não, somente interessante.
Ela não perguntou o que ele queria dizer com isso.
Ele passara o dia e a noite inteira mostrando-lhe que
a queria e o quanto a queria. A única pergunta era se
ela poderia ir até o fim. Não esperara se envolver
emocionalmente, não em tão pouco tempo, e o risco
de intensificar essa emoção fazendo amor com ele a
atemorizava.
– Eu não tenho certeza se estava pensando direito
quando disse a minha mãe que tentaria.
– Mas você está pensando direito agora, e me deseja,
Bethany.
Ela não respondeu, sendo o silêncio sua única defesa
contra a verdade.
Ele parou e a voltou para fitá-lo. Olhando em seus
olhos, perguntou:
– Você me deseja?
– Sim.
– Você quer esperar? – André perguntou, inseguro
quanto ao que faria se ela dissesse que sim.
– Você nem mesmo me beijou ainda. – Seus olhos
doces e cinzentos refletiam espanto.
Será que ela pensava que precisava beijá-la para
saber que a queria?
– Se eu começar, talvez não consiga parar.
– Mesmo?
– Mesmo.
– Você normalmente é tão incapaz de se controlar?
– Você sabe que não.
– É verdade. Você me disse.
E ela acreditara nele. Ele gostou de saber disso.
Ela lambeu os lábios, o peito subindo e descendo
com a respiração curta e superficial.
– Eu quero que você me beije.
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