CAPÍTULO UM
Bethany voltou correndo para o exótico e caro café
onde almoçara, a esperança, a frustração e a preocupação
tocando um concerto fora de sincronia por seus
terminais nervosos.
Ela estava em Roma há três dias. Dias bonitos e
quentes, durante os quais gastara mais tempo se perdendo
do que visitando pontos turísticos, e nenhum deles
a levara um passo mais perto de sua meta. O plano
de vir à Itália, encontrar um homem sexy, ter um romance
de uma semana e voltar para casa com a certeza
de não ser a puritana fria que seu marido a
acusara de ser fora uma loucura desde o começo.
Sua mãe não concordava com essa descrição de
Bethany, é claro, e fora ela quem tivera a idéia inicialmente.
Também dera a Bethany a viagem com todas
as despesas pagas para Roma, junto com os
conselhos sobre melhorar sua auto-imagem e uma
forte recomendação de que ela tivesse apenas um
caso sem compromisso.
Vindo da mulher bastante conservadora e tímida
que passara trinta anos casada com o mesmo homem,
a sugestão teria sido hilária, se não fosse tão chocante.
Como não queria ferir os sentimentos de sua mãe,
Bethany aceitara o conselho para auto-ajuda. Gastara
cem dólares para que seu cabelo castanho
fosse alisado e clareado, outros trinta em um kit de
“Dança do Ventre”, e várias noites
usando as castanholas e truques para tentar
entrar em contato com seu lado mais sensual. Não
tinha certeza do quanto isso adiantara, mas agora sabia
como mexer os quadris da melhor maneira. Também fora pela
primeira vez à pedicure, e seus pés tinham
uma ótima aparência com as sandálias.
Nada disso parecera ajudar Bethany a
parecer mais interessante ao sexo oposto, conforme seu
marido a acusara.
Escancarando a porta do pequeno café, ela se
lançou para dentro e bateu em uma parede. Não
se lembrava de uma parede logo na
entrada quando estivera ali antes.
Confusa, ela contemplou o fato estranho, quando a
parede se moveu e duas mãos quentes pousaram em
seus ombros.
– Scusi. Siete guisti?
Ela levantou a cabeça e encontrou um par de olhos
castanhos em um rosto que os anjos invejariam. Nunca
encontrara ninguém tão maravilhoso na vida. Até
mesmo seu ex, Kurt, era nada se comparado a ele.
Um homem bonito, um Adonis italiano que era pura
maturidade masculina. Não que tivesse uma aparência
velha, era exatamente o contrário. Não deveria ter
mais de trinta anos, mas havia uma quantidade de
conhecimento sofisticado em seu olhar que ela
duvidava que viesse a ter aos noventa anos.
– Eu sinto muito. Quero dizer, perdonilo prego
– disse ela, repetindo uma das frases que
aprendera no cd de italiano que sua
mãe insistira para que escutasse durante a viagem
de avião.
– Você é inglesa? – A voz sexy alcançou um local
dentro dela que não fora tocado em dois anos de
intimidade conjugal. Ela fez tudo o que podia para
não se arrepiar.
– Americana.
As mãos dele apertavam seus ombros, mas ele não
a afastou e ela não fez nenhum esforço para recuar.
– Você não precisa se desculpar.
– Eu não estava olhando para onde ia.
– Eu lhe agradeço por isso – ele sorriu, a implicação
de suas palavras e a admiração masculina em seus
olhos inconfundíveis.
Um vácuo invisível sugou todo o ar à sua volta,
deixando-a com a cabeça leve e incapaz de responder
a esse comentário galante.
– Você está com pressa? – ele perguntou.
– Você quer saber se estou com pressa?
O sorriso dele se abriu, fazendo com que o seu ritmo
cardíaco fosse para a estratosfera.
– Você entrou muito rápido pela porta.
– Oh, sim. Eu estou com pressa, quero dizer... Esqueci
minha bolsa aqui mais cedo e não o notei até chegar na
estação de metrô para comprar um bilhete
– ela balbuciou. A expressão dele se tornou grave.
– Isso não é bom.
– Não. – Mas no momento ela não conseguia se
lembrar por quê.
Alguém disse algo atrás dele e ele se virou, retirando as mãos
de seus ombros. Ele se desculpou por bloquear a
saída e passou uma das mãos por sua cintura com naturalidade,
como se eles se conhecessem há anos.
Um casal passou por eles. A mulher, uma morena glamourosa que se parecia
com a jovem Sophia Loren deu um olhar de especulação
tingido de inveja enquanto passava. Considerando o fato
de que ela era bem bonita, essa inveja surpreendeu
Bethany.
Mas ela não se fixou no olhar estranho por muito
tempo. Não poderia, não com a mão dele ainda presa
à sua cintura. Centelhas de excitação irradiavam do lugar
em que seus dedos repousavam nas costelas dela para
o resto do corpo em uma reação elétrica que nunca
vivenciara. Ela havia lido sobre atração sexual instantânea,
mas nunca a sentira e nada que encontrara
em livros sequer chegava perto de comunicar as
sensações que passavam por seus nervos naquele
momento. Ela mal podia respirar e isso era com
certeza porque seu cérebro não estava funcionando
direito.
Provavelmente era por isso que ela ainda não fizera
nada em relação a pedir sua bolsa.
– Eu preciso de... – A voz dela diminuiu quando
seus olhares se encontraram novamente.
– Eu vou perguntar sobre sua bolsa.
– Obrigada.
Ele a levou consigo, a mão firmemente em torno da
sua cintura... E ela deixou.
A possibilidade de que ele não sentisse a química
sexual avassaladora dominando seus sentidos tentou
se formar como um pensamento firme em sua mente,
mas ela o rejeitou. Algo tão poderoso não podia ser
unilateral. Ou podia?
O proprietário, um homem baixo e bastante gordo
com um ar simpático pegou a bolsa de Bethany com
um largo sorriso de italiano quando seu
companheiro perguntou pelo objeto.
Entregando-lhe a bolsa rosa e preta, um pouco maior
que uma carteira, ele aconselhou:
– Deveria ter mais cuidado, signorina – balançou
a cabeça. – O que teria acontecido se eu não a tivesse
visto na cadeira, eu não posso nem imaginar.
– Com certeza já teria desaparecido a essa altura
– o homem ao seu lado replicou.
Ela lhe deu um olhar de soslaio, perguntando-se se
ele pensava que ela era algum tipo de idiota por esquecer-
se dela, mas sua expressão era séria, e não
julgadora.
– Eu não guardo meu passaporte, nem a maior parte
do dinheiro nela – disse ela, para se defender. –
Somente alguns euros, minha carteira de motorista
para a identificação e um cartão de crédito.
– Olhe para ver se está tudo aí. Antonio pode ter
encontrado sua bolsa depois de outra pessoa.
Ela assentiu com a cabeça e passou rapidamente
em revista o seu conteúdo. Não estava preocupada
com a maquiagem e outros objetos femininos que só
começara a usar após sua chegada à Itália, mas tudo
estava intacto.
Olhou para o dono do café e sorriu.
– Está tudo aqui.
Ele assentiu, estufando o peito.
– Eu a vi logo depois de você ter se levantado de
sua mesa e a coloquei atrás do meu balcão.
– Obrigada. – Pegou algum dinheiro para dar a
Antonio em agradecimento, mas ele o recusou com a
mão.
– Não, signorina. É um prazer ajudar uma mulher
bonita.
Ela riu, balançando a cabeça com seu exagero tipicamente
italiano.
– Bem, obrigada de qualquer jeito.
– Você não acredita no que ele disse?
– Que é um prazer ajudar? Eu não duvido disso.
Ele parece um homem muito bom. – E sorriu novamente
para o proprietário. – O senhor realmente me
salvou de muitos problemas. Obrigada.
– Ah, então é a parte sobre a sua beleza em que
não acredita? – seu cavaleiro errante perguntou, implicando
com ela.
Ela deu de ombros, pois a sensação do braço dele passando
por seu torso desconectava temporariamente a conexão entre seu
cérebro à sua boca, de maneira que precisou se lembrar
do que ele perguntara antes de poder lhe responder.
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