Susan Wiggs

Doce Melodia

POR FELICIA MASON

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CAPÍTULO TRÊS

O recinto ficou em silêncio. Todos os olhos se voltaram para Jodie, aguardando sua resposta.

Ela sabia que todos pensavam que estava tentando decidir se aceitava ser a assistente especial de Mark Bradshaw. Na verdade, Jodie estava dividida entre a promessa e a providência divina. Sabia o que o Todo-Poderoso havia prometido para sua vida. Apenas não tinha certeza se isto era a forma que ele havia escolhido para cumprir tal promessa. À primeira vista, parecia um desvio de 180 graus. Mas podia sentir que era a coisa certa para ela.

Será que pensava assim devido a seus sentimentos por Mark, ou porque era a coisa certa a se fazer?

Já notara o modo como ele,  às vezes, a olhava, quando achava que ela não estava prestando atenção. E que piscadela foi aquela? Será que estava entrando numa nova oportunidade profissional ou se colocando numa posição no trabalho que poderia rapidamente se tornar complicada e dramática.

Só havia uma maneira de descobrir. Embora se sentisse como se estivesse pulando em um precipício, Jodie pegou seu bloco de anotações e uma cópia da escalação das equipes. Afastando-se da mesa oval, ela caminhou na direção de Mark e de um futuro incerto.

— Aceito o emprego.

— Ótimo — Mark disse, com um sorriso, e abriu a porta para ela.

Ao saírem — lado a lado —, o coração de Jodie disparou. Mas ela também se sentiu nas nuvens.

Atrás deles, a sala da diretoria foi tomada de uma cacofonia de vozes. 

* * * 

— Você está bem? — perguntou Mark, um pouco mais tarde.

— Para falar a verdade, não tenho certeza. Acabo de dar as costas a um chefe que, quase sempre, foi muito bom para mim.

— O que me preocupa é justamente esta parte de “quase sempre”.

Jodie deu as costas à vista do vale. O escritório de Mark ficava no ultimo andar do prédio da Bradshaw International. Embora fosse grande, o prédio não destoava de seus arredores. O escritório também não era o que ela esperava. Em vez de cromados modernos, com ar futurista, as poltronas confortáveis, as abundantes plantas verdes e as telas tanto de músicos quanto de corais de Igreja davam ao aposento a aparência de uma sala familiar decorada com bom gosto.

— Não era esta a imagem que eu fazia de seu escritório.

Ele riu.

— A versão estereotipada fica logo ao lado. Eu a uso para reuniões. Aqui é onde eu trabalho.

— Wayside, no Oregon, é um lugar incomum para a sede de uma empresa como esta.

Mark sorriu.

— É por isso que eu a queria como minha assistente.

Jodie o fitou com curiosidade. Mas quase esqueceu o que ia perguntar e ficou sem fôlego ao olhar para o homem. Ele estava apoiado na mesa, as pernas esticadas e cruzadas, parecendo um modelo no intervalo de uma seção de fotos. Ele a observava atentamente.

— O q-quê?

— Poucas pessoas teriam a coragem de dizer para o novo chefe que acham a sede da empresa uma droga.

Mortificada, Jodie esticou a mão na direção do homem e depois a deixou cair.

— Não foi isso que...

— Eu sei.

Ele continuava a fitá-la. Jodie tentou ver se havia algum fio puxado na meia-calça, se a borda da combinação estava aparecendo, se o cabelo estava desgrenhado. Depois, resignando-se com o fato de que estragara a reunião, perguntou francamente:

— Tem alguma coisa de errado comigo?

— Não — ele disse. — Você está ótima. — Ele pigarreou, endireitou-se e deu as costas para Jodie. — Minha decisão de torná-la minha assistente especial não foi um capricho. Você tem um histórico impressionante na empresa.

Sem saber o que fizera para esfriar a cordialidade na voz do patrão, Jodie assumiu uma postura mais profissional.

— Obrigada, sr. Bradshaw.

Ele ergueu o indicador.

— Mark, por favor. sr. Bradshaw é meu avô.

— Nas reuniões, todo mundo se refere ao senhor como Sr. Bradshaw.

Ele se virou para ela, o sorriso revelando uma ligeira covinha. Jodie percebeu que trabalhar com ele seria um verdadeiro desafio.

— Isso é uma das coisas culturais da empresa que quero mudar. Você tem idéias.

Ela não confundiu a afirmação com uma pergunta.

— Tenho.

Ele a convidou a se sentar em uma das poltronas de couro.

— A empresa já passou por alguma reorganização?

Mark assentiu.

— Só uma vez. Nos anos 70. O Velho estava entediado e resolveu mudar tudo e todos de lugar só para ver o que acontecia.

— É isso que está fazendo agora com o ganha-pão e as carreiras de tantas pessoas? Mudando tudo só para ver o que acontece?

Em vez de morder a isca, ele sorriu e se recostou na poltrona.

— Para falar a verdade, é.





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